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Batismo no Lami, uma história que se renova em Cristo

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Batismo em Águas integra as celebrações dos 102 anos da Assembleia de Deus de Porto Alegre e reúne novos convertidos, lideranças e centenas de irmãos em uma manhã de fé, emoção e comunhão cristã.






Ainda era cedo quando os primeiros sinais de uma manhã especial começaram a movimentar a orla do Lami, no extremo-sul de Porto Alegre. Às 7h30, enquanto a cidade despertava para mais um domingo, irmãos responsáveis pela música e pela operação de áudio já estavam no local, preparando cada detalhe para uma celebração que ultrapassa a dimensão de uma programação comemorativa. Naquele cenário marcado pela natureza e pelas águas, a Assembleia de Deus de Porto Alegre se reuniria para celebrar vidas transformadas pelo Evangelho, em um dos momentos mais simbólicos das comemorações de seus 102 anos de história.

O batismo, marcado para as 8h30 do dia 18 de outubro, carrega um significado que vai muito além do ato de entrar nas águas. Para cada candidato, aquele momento representa uma declaração pública de fé, a decisão de seguir a Jesus Cristo e o compromisso de caminhar segundo os ensinamentos das Escrituras. Para a igreja, é também a oportunidade de testemunhar a continuidade de uma obra que atravessou gerações e permanece presente na vida espiritual de milhares de pessoas.

A escolha do Lami confere à celebração um sentido histórico particular. Foi no rio Guaíba que aconteceu o primeiro batismo que faz parte da trajetória da Assembleia de Deus em Porto Alegre, a partir do trabalho missionário desenvolvido há mais de um século pelo Missionário Gustavo Nordlund e sua esposa, a missionária Hedwig Elizabeth Nordlund. A continuidade desse legado também esteve ligada à atuação do Pr. Herbert Nordlund e de sua esposa, Ruth Nelson Nordlund. A memória desses pioneiros acompanha a caminhada da igreja e ajuda a compreender a dimensão histórica de uma celebração realizada justamente no território que guarda as raízes dessa missão.

Mais de cem anos depois, a presença de novos convertidos nas águas do Lami transforma a paisagem em testemunho vivo de continuidade. O lugar que remete aos primeiros passos da evangelização na capital gaúcha continua a receber pessoas que decidem assumir publicamente sua fé, numa ligação entre passado, presente e futuro. Não se trata apenas de recordar a história, mas de observar como ela continua a ser escrita na vida de homens e mulheres que encontram no Evangelho uma nova direção.

A programação reuniu o presidente da Assembleia de Deus de Porto Alegre, pastor João Oliveira de Souza, que conduziu os trabalhos. Também estiveram presentes integrantes da diretoria da igreja, pastores e lideranças distritais vindos de diferentes regiões da cidade. A participação das lideranças expressou o caráter coletivo da celebração, na qual diferentes frentes do ministério se unem para acompanhar aqueles que dão um passo decisivo em sua caminhada cristã.

O culto foi marcado por louvores, leitura da Palavra de Deus e momentos de oração. A música preparava o ambiente, mas era possível perceber que, para muitos dos presentes, a expectativa estava concentrada naquilo que aconteceria em seguida. Havia pessoas aguardando sua vez de entrar nas águas, familiares e irmãos acompanhando cada instante, além de centenas de participantes que deixaram suas casas nas primeiras horas da manhã para compartilhar a alegria daquele domingo.

Existem momentos de fé cuja profundidade não se deixa explicar inteiramente pelas palavras. O silêncio de quem observa, a emoção de quem espera e a reverência de quem acompanha a celebração compõem uma experiência que pertence, de maneira particular, àqueles que a vivenciam. Na orla do Lami, a liturgia do culto se encontrava com a simplicidade da natureza, criando o cenário para uma manifestação de fé que reunia gerações em torno de uma mesma esperança.

Após a palavra de instrução dirigida aos candidatos, chegou o momento tão aguardado. Os oficiantes organizaram as filas e conduziram os irmãos aos pontos preparados para a realização do batismo. Enquanto alguns auxiliares orientavam os participantes, outros oficiantes, já posicionados nas águas, recebiam os candidatos para a cerimônia. Cada pessoa seguia seu percurso, acompanhada pela atenção dos responsáveis e pelo olhar dos irmãos que testemunhavam aquela decisão.

Um a um, os candidatos foram às águas, tornando pública uma escolha que, para muitos, representa o início de uma nova etapa da vida. Cada batismo carregava uma história particular, feita de experiências, perguntas, descobertas e decisões pessoais. Embora nem todas essas trajetórias fossem conhecidas pelos presentes, havia um ponto de encontro entre elas: a disposição de professar a fé em Jesus Cristo e assumir o compromisso de viver conforme os princípios do Evangelho.

A celebração foi marcada também por manifestações de intensa espiritualidade. Durante a programação, houve relatos e momentos associados à experiência do batismo no Espírito Santo, ampliando a alegria dos participantes. Para a comunidade pentecostal, essas experiências fazem parte de sua compreensão da vida cristã e da atuação do Espírito Santo na igreja. A manhã foi vivida como uma verdadeira festa espiritual ao ar livre, em que louvor, oração, comunhão e testemunho se entrelaçaram.

A grande participação dos irmãos revelou que o batismo não é um acontecimento isolado na agenda eclesiástica. Ele mobiliza famílias, congregações, lideranças e equipes que trabalham nos bastidores para que tudo aconteça de maneira organizada. Antes mesmo do início do culto, músicos e operadores de áudio já haviam assumido suas funções. Outros participantes contribuíram com a orientação dos candidatos, a organização do espaço e o apoio necessário à realização da cerimônia. São serviços que nem sempre aparecem nas fotografias, mas que também fazem parte da história de cada celebração.

A cada ano, por ocasião do aniversário da Assembleia de Deus de Porto Alegre, as águas do Guaíba voltam a ocupar um lugar de destaque na memória e na prática da comunidade. A realização do batismo nessa região reafirma a ligação entre a identidade histórica da igreja e sua missão de anunciar o Evangelho. Em 2026, ao completar 102 anos, a denominação celebrou sua trajetória não apenas olhando para os que vieram antes, mas também acolhendo aqueles que agora assumem publicamente sua fé.

Há uma força particular nesse encontro entre a história e as novas gerações. Os pioneiros que chegaram à capital gaúcha no início dessa caminhada não poderiam conhecer os nomes de todos os que um dia se reuniriam naquele lugar. Ainda assim, o trabalho missionário que iniciaram deixou marcas que atravessaram décadas. Agora, diante das águas do Lami, cada novo batizando representa uma vida que passa a integrar essa história coletiva, com sua própria caminhada e sua própria responsabilidade diante de Deus.

A celebração dos 102 anos também aponta para o compromisso que permanece depois do culto. O batismo é um marco importante, mas a vida cristã continua na comunhão, no aprendizado das Escrituras, no serviço ao próximo e na participação da comunidade de fé. É nesse acompanhamento cotidiano que a decisão anunciada nas águas encontra espaço para amadurecer, sustentada pelo cuidado pastoral e pela convivência entre os irmãos.

Ao longo da manhã, a orla do Lami tornou-se lugar de encontro entre gerações, histórias pessoais e a memória de uma igreja centenária. A água recebeu os candidatos, enquanto a comunidade, reunida ao redor, testemunhou um dos momentos mais significativos da programação comemorativa. Para quem acompanhou a celebração, ficou a lembrança de um domingo em que a história da Assembleia de Deus de Porto Alegre não foi apenas contada: ela pôde ser vista na vida de pessoas que decidiram declarar sua fé diante de todos.

A expectativa da igreja é continuar anunciando o Evangelho e preparando pessoas para viver segundo os ensinamentos de Cristo, mantendo viva a esperança cristã da volta do Senhor. No Lami, o batismo de 18 de outubro reafirmou o sentido de uma caminhada que atravessa gerações: uma obra sustentada pela fé, pelo serviço e pela dedicação de pessoas que, ao longo de mais de um século, fizeram do anúncio do Evangelho uma missão de vida.


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